Tudo o que você precisa saber para organizar a viagem com o seu pet

Por Daniel Courtouke,

Viajar com animais de estimação é uma tendência cada vez maior no Brasil. Enquanto algumas pessoas procuram hotéis para animais, tentam encontrar algum vizinho ou qualquer outra boa alma pra alimentar os bichinhos quando saem de férias, outras fazem questão de levá-los a todo custo.

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Muita gente, no entanto, não viaja com pets por não ter conhecimento sobre que cuidados tomar, que vacinas aplicar para viajar para o exterior ou por não saber se muitos hotéis aceitam ou não animais de estimação.

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Para solucionar esses problemas, o Room5 foi atrás de uma especialista no assunto, a veterinária Laís Rodrigues, para esclarecer dúvidas sobre como organizar viagens com animais de estimação.

Segundo ela, independente do tipo de viagem, seja de carro ou avião, o ideal é que o animal passe por uma avaliação veterinária antes da viagem, principalmente em caso de longas distâncias.

O médico veterinário é o profissional indicado para sanar dúvidas e orientar sobre as viagens acompanhadas de animais.

Ir para um lugar totalmente desconhecido pode ser o que você mais quer ao pegar a estrada ou um voo, mas os animais podem reagir de diversas maneiras ao chegar em um ambiente estranho.

Por isso, Laís recomenda que o dono leve para a viagem objetos com os quais o animal já esteja habituado, como brinquedos, cama, comedouro e bebedouro. Desta forma, pode-se minimizar o estresse para o seu pet.

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Viajar de carro ou avião exige cuidados diferentes por parte do dono. Por isso, dividimos as informações e dicas em duas partes: viajar de carro e de avião.

Como viajar de carro

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Onde transportar seu pet

Laís explica que o local onde o animal deve ser transportado varia de acordo com o seu porte no caso dos cães.

Os gatos e cães de pequeno porte devem ser transportados no banco de trás do carro, dentro de caixa de transporte de tamanho adequado – idealmente o animal deve conseguir virar o corpo na caixa de transporte – cadeirinha de transporte ou com coleira com cinto de segurança.

Já os cães de médio e grande porte podem ser levados no banco de trás com os mesmos cuidados ou ainda no porta malas aberto de carros utilitários esportivos (SUV), onde a porta de trás tem contato direto com o interior do carro.

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Não é recomendado que o animal viaje solto no carro ou ainda com a cabeça fora do vidro, em contato com o vento, pois há o risco de o animal se machucar.

Além do cuidado com o local e segurança do animal durante o transporte, Laís explica que é preciso tomar uma série de precauções enquanto estiver na estrada:

  • A temperatura do carro durante a viagem deve ser agradável, não deve-se deixar o jato do ar condicionado direcionado para o animal, evitando ressecamento dos olhos e vias aéreas;
  • É preciso fazer paradas a cada duas horas para que o animal consiga se movimentar, defecar e urinar;
  • Água pode ser oferecida em pequenas quantidades, para que o animal não vomite;
  • Comida só é recomendado se a viagem durar mais de 6 horas. Ainda assim, dê uma pequena quantia.

O que fazer se o animal enjoar muito?

O enjoo de movimento, ou cinetose, é comum em cães, sendo mais frequente em algumas raças, como o Spitz Alemão.

Caso queira, você pode pedir para que um veterinário prescreva algumas medicações para evitar esse tipo de transtorno.

Dica:

É interessante fazer pequenos percursos com o animal no carro no período anterior à viagem, para que ele vá se acostumando com o movimento, diminuindo, assim, o risco de enjoo durante o trajeto.

Por fim, vale ressaltar que não é preciso levar todas as dicas exatamente ao pé da letra. Afinal, seu pet vai saber dar sinais de que algo está errado:

Cada animal reage de uma  maneira, sendo importante que o dono perceba os sinais de cada um. Alguns toleram um período menor de paradas ou são muito agitados e hiperativos, necessitando de treinamento e adestramento antes da viagem.

Também é preciso garantir que você tenha em mãos a carteirinha de vacinação atualizada e o atestado de saúde do animal, que devem ser emitidos pelo veterinário.

Como viajar de avião

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Quando o assunto é entrar em um avião com o seu pet, os cuidados e exigências são maiores, tanto do lado das companhias aéreas, quanto das normas do governo.

Por exemplo: para viagens internacionais, é exigida vacinação anti-rábica, que deve ser realizada pelo menos 30 dias antes da data da viagem.

A carteirinha de vacinação deve conter o selo da vacina, carimbo e assinatura do médico veterinário responsável.

Mas atenção: não são aceitas vacinas administradas em campanhas de vacinação municipais.

Também é importante que as demais vacinas tenham sido administradas e a carteira de vacinação esteja atualizada, protegendo o animal de doenças virais e bacterianas no país de destino, o que evita alguns transtornos durante a viagem.

É preciso sedar o animal para voar?

A sedação dos animais durante a viagem é contraindicada. Tal procedimento pode colocar em risco a vida do animal, já que o mesmo não estará sendo monitorado durante o voo.

Laís também explica que a sedação tem uma duração curta, menor que o período das viagens internacionais, o que faz com que o animal acorde no meio do caminho e se estresse.

“O animal sedado também perde a capacidade natural de se equilibrar, perdendo a habilidade de se segurar ou defender durante movimentos no pouso, decolagem e eventuais turbulências”, completa.

Devo alimentar o animal antes do voo?

O jejum hídrico e alimentar deve ser realizado antes das viagens, com o objetivo de evitar que o animal urine, defeque e vomite na caixa de transporte durante o voo. Animais adultos devem ficar 6 horas sem se alimentar e 3 horas sem ingerir água antes do embarque.

Grandes diferenças climáticas importam?

Definitivamente. Alguns cuidados devem ser tomados se o clima do destino da viagem for muito diferente do que o animal está habituado.

Em climas muito frios, o animal deve ser mantido aquecido, principalmente se tiver pelos curtos.  A temperatura fria resseca as vias aéreas e deixa o animal suscetível à doenças respiratórias.

Por outro lado, o clima quente também requer cuidado, já que o animal pode desenvolver hipertermia e desidratação, principalmente em raças de focinho curto, onde a termorregulação é menos eficiente.

Para quais destinos posso voar com um pet?

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Antes de procurar uma aérea, busque se informar sobre o que cada destino exige, já que não adianta nada preencher todos os requisitos para voar se o país de destino tiver alguma norma diferente daquilo que seria normalmente esperado.

O Ministério da Agricultura disponibiliza uma página em seu site com informações e orientações sobre documentos e exigências de cada país de destino. É importante se informar com antecedência de, no mínimo, 30 dias da viagem para evitar imprevistos.

O que as companhias aéreas exigem?

Algumas aéreas não permitem o transporte de animais em algumas rotas, então é melhor sempre se informar certinho antes de definir o destino se a ideia é mesmo ir acompanhado do seu animal de estimação.

Outra coisa importante é a idade do animal. Normalmente, o animal de estimação precisa ter ao menos 8 semanas para voar, mas para os EUA, por exemplo, é exigido que o pet já tenha quatro meses. Ou seja: o melhor a fazer é se informar para evitar imprevistos.

Ao procurar informação, tenha em mãos a idade, o peso, o tamanho e a raça do seu animal de estimação.

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