De Punta del Este a Punta del Diablo: como conhecer as melhores praias do Uruguai

Por Gabriel Brust,

Por que tantos brasileiros têm buscado as praias do Uruguai quando temos em casa mesmo um dos litorais mais bonitos do mundo? A resposta não é óbvia, como óbvio não é o Uruguai, este país esquisito e interessante espremido entre o Brasil e a Argentina. “Um prado vazio”, nas palavras de um de seus filhos mais ilustres, o compositor Jorge Drexler, que também define seu país como “um campo encostado no mar”.

Definitivamente, o diferencial não são as paisagens naturais, já que mesmo as praias mais bonitas do Uruguai ainda perdem para qualquer uma de Santa Catarina. Mas basta você atravessar a fronteira do Rio Grande do Sul e alcançar Punta del Diablo, a primeira praia para quem está viajando em direção ao sul, para já perceber o que encanta nos balneários do país: uma espécie de espírito intocado, simples e místico, que é totalmente representado alguns quilômetros depois por Cabo Polonio (na foto em destaque), um vilarejo sem carros que talvez seja o ponto alto da costa uruguaia.

Cabo Polonio, um penhasco que adentra o mar e que não conta nem mesmo com energia elétrica, está no meio do caminho da nossa viagem, que pode começar tanto pelo norte do país, a partir da fronteira com o Brasil (caso você vá de carro), ou pelo sul, a partir da capital Montevidéu (caso você chegue de avião).

Neste roteiro, faremos o trajeto a partir de Montevideo, subindo em direção ao Rio Grande do Sul, mas, se você vier pelo norte, basta ler o post do fim para o início.


Quando ir

Definitivamente, no verão. E mesmo assim vale levar um casaquinho para quando a noite cair. O verão do Uruguai não é tão quente como o do Brasil, mas o suficiente para compensar a temperatura da água, sempre mais gelada que a nossa. Mas nada muito diferente do litoral do Rio Grande do Sul, por exemplo.


Como se deslocar

Embora haja linhas de ônibus ligando Montevidéu a Punta del Este e, a partir desta, às praias do norte, o ideal é alugar um carro. A carteira de motorista brasileira é aceita sem restrições. Caso você vá com seu próprio carro, é preciso contratar um seguro chamado Carta Verde. A partir daí, a única instrução é: siga pela Ruta 10, a famosa estrada interpraias uruguaia.


Dia 1: De Montevidéu a Punta Ballena

O aeroporto internacional de Carrasco fica fora da capital, então você já está no caminho em direção ao litoral, a 100 quilômetros da nossa primeira parada, Punta Ballena. Então, se você preferir deixar a visita a Montevidéu para o fim da viagem ou para outra vez, é só botar logo o pé na estrada, sem perda de tempo.

Casapueblo em Punta Ballena, Uruguai

Em Punta Ballena a atração não é tanto a praia, mas a Casapueblo, a icônica construção no alto de uma montanha à beira-mar que aparece em todos os cartões postais uruguaios. Construída pelo artista plástico mais famoso do país, Carlos Páez Vilaró (1921-2014), ela foi seu ateliê e casa de praia. Hoje é um museu e restaurante que oferece vistas deslumbrantes sobre o mar. Se estiver cansado de dirigir e quiser viver a experiência completa, é possível se hospedar e passar a noite na própria Casapueblo, que é também um hotel de alto padrão.

Hotel Casapueblo em Punta Ballena, Uruguai

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Dia 2: Punta del Este e La Barra

Seguindo viagem, a praia mais famosa do Uruguai fica a apenas 20 minutos de carro da Casapueblo. Punta destoa bastante do restante das praias uruguaias, já que os VIPs tanto brasileiros quanto argentinos a elegeram como o ponto da badalação dos verões já há algumas décadas. A esculura “Les Dedos”, de Mario Irarrázabal, na Praia Brava, é um dos ícones locais.

Punta del Este Uruguai

Os hotéis, clubes e casinos movimentam a cidade. Se você quiser entender exatamente a alma de Punta, vale se hospedar no Conrad, o hotel casino mais tradicional da região. De frente para o mar, ele é um resumo de Punta: casino, club, resort, restaurante.

Conrad Casino em Punta del Este

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Se o seu orçamento não cabe nos hotéis de Punta, vale seguir apenas alguns minutos a mais de viagem para conhecer La Barra e Manantiales, as duas praias seguintes, com perfil bem mais despojado, mas mesmo assim agitado. A avenida principal de La Barra é cheia de bares, restaurantes e lojas.


Dia 3: Farol José Inácio e La Pedrera

Se até aqui o foco era a badalação, a partir de agora a viagem vira praia e tranquilidade. Siga pela Ruta 10 em direção ao norte. A apenas meia hora de La Barra você chega a José Ignacio, uma antiga vila de pescadores que hoje conta com uma das melhores gastronomias do país, além de galerias de arte. Do alto do farol construído em 1877 você tem uma vista incrível da ponta da península: de um lado a Praia Brava, do outro, a Mansa.

Farol José Ignácio no Uruguai

Foto de Carlos E. Gonzalez CC BY-SA 3.0

Para comer e tomar uns drinks em frente ao mar, visite o tradicional parador La Huella. Mas se gastronomia for algo realmente sério para você, vale desviar 40km da rota da praia até o vilarejo onírico de Garzón, em meio aos campos uruguaios, onde o internacionalmente celebrado chef argentino Francis Mallmann instalou seu restaurante e hotel, que também chama Garzón.

Restaurante hotel Garzón

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A próxima perna da viagem é um pouco mais longa, já que é preciso desviar da Laguna de Rocha pela Ruta 9, até chegar em La Paloma e La Pedrera, duas típicas praias uruguaias, simples e boas para relaxar e se hospedar com preço acessível. Por exemplo, na pousada Brisas de la Pedrera, a poucos metros da orla, com esta bela vista sobre La Pedrera.

Pousada Brisas de la Pedrera, em La Pedrera, Uruguai

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Dia 4: Cabo Polonio

Acorde cedo, dirija mais meia hora pela Rua 10, sempre em direção ao norte, e diga adeus ao seu carro e ao seu telefone celular. Em Cabo Polonio, os carros não entram, e os celulares ficam sem bateria. A península é um parque nacional onde não há eletricidade e os carros devem ficar estacionados na entrada. O trajeto até as praias é feito em veículos únicos, um híbrido de caminhão com ônibus que parece saído do filme Mad Max e que leva os turistas (e os moradores) até o vilarejo, desbravando as dunas.

Cabo Polonio, uruguai

Foto de Jimmy Baikovicius (CC BY-SA 2.0)

Muita gente apenas passa o dia em Cabo Polonio e vai embora ao anoitecer, mas, se você não exige muito conforto, vale se hospedar em uma das poucas pousadas disponíveis. Durante o dia, as duas praias que circundam o farol são diversão garantida. Ao redor do farol também é possível avistar centenas de lobos-marinhos. O pôr do sol na península tem algo de mágico – como registrou neste vídeo a banda argentina Perotá Chingó, que foi formada no verão de 2011 em Cabo Polonio e hoje é um dos maiores nomes da música em seu país. À noite, quando a única iluminação das ruas é o fogo, o céu estrelado oferece uma experiência única.

Noite estrelada em Cabo Polonio, Uruguai

Montecruz Foto CC BY-SA 2.0

A Pousada Mariemar é uma das mais tradicionais de Cabo Polonio, há 45 anos comandada pela mesma família. Além do clima praiano, o grande diferencial é que ela possui um gerador de energia próprio, oferecendo banho quente e uso moderado de eletricidade.

Pousada Mariemar em Cabo Polônio

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Dia 5: Punta del Diablo

Encerramos o nosso tour de praias uruguaias a apenas 44km da fronteira com o Brasil. Punta del Diablo é mais uma típica praia uruguaia com um ar meio hippie e despojado, boa para relaxar antes de encerrar a viagem voltando para Montevidéu.

Punta del Diablo

Foto: Gabriel Brust

A praia é repleta de hostels e pousadas à beira-mar, mas, se você quiser encerrar o tour em grande estilo, vale se hospedar na Viuda del Diablo. Em frente ao mar da praia Virgen de la Viuda, ela fica um pouco afastada do centrinho da vila dos pescadores e oferece luxo na medida, sem afetar o estilo “casa de praia” fundamental para curtir a região.

Pousada Viuda del Diablo, na praia de Punta del Diablo, Uruguai.

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